Hoyo de Monterrey Epicure No. 2 A Evolução do Conceito Robustíssimo em Detalhes
A linha Epicure da Hoyo de Monterrey sempre ocupou um nicho distinto no panteão cubano, e o Epicure No. 2, em particular, representa um estudo de caso fascinante sobre a evolução do conceito Robustíssimo. Este exemplar, com suas dimensões de 50 x 124 mm, oferece um perfil de fumada que equilibra a tradição da marca com uma execução contemporânea.
Confección e Apresentação

A primeira impressão tátil é crucial. O exemplar em análise exibia uma capa de tonalidade clara, tendendo ao Colorado Claro, com uma oleosidade sutilmente perceptível, sem ser excessiva. A túnica era notavelmente sedosa ao toque, indicando um processo de enrolamento meticuloso. A capa apresentava veios finos e bem integrados, um indicativo de matéria-prima de alta qualidade.
O entubado (o preenchimento interno) demonstrou uma densidade homogênea. Ao ser inspecionado visualmente sob boa luz, notou-se uma compactação ideal – firme o suficiente para exigir uma sucção medida, mas sem apresentar pontos de resistência que pudessem comprometer a uniformidade da queima. A aplicação da tripla capa (o cappuccio) era impecável, um testemunho da maestria do torcedor.
Perfil Organoléptico e Desenvolvimento
O préluz revelou notas iniciais de cedro levemente adocicado e um toque terroso característico da marca. A queima inicial, após o acendimento cuidadoso (preferencialmente com fósforo de madeira ou maçarico em chama baixa), foi surpreendentemente suave.
Primeiro Terço: O Epicure No. 2 estabelece rapidamente seu caráter. A doçura da capa entra em diálogo com um núcleo de tabaco que oscila entre notas de nozes tostadas e um dulçor sutil de baunilha. O draw (fluxo de ar) manteve-se constante, produzindo uma fumaça densa e volumosa, mas de baixa pungência inicial.
Segundo Terço: É nesta fase que a complexidade se aprofunda. A potência permanece moderada (estimada em 4/10 na escala subjetiva), mas a transição de sabor é notável. As nozes dão lugar a nuances mais cremosas, remetendo a cacau em pó e um leve toque apimentado no retrogosto. A combustão, neste ponto, exige atenção; um ajuste pontual com o aquecedor pode ser necessário para manter a linha reta, dada a circunferência de 50 RG.
Terço Final: O final da fumada é robusto sem ser agressivo. O corpo da fumaça aumenta ligeiramente, e o perfil amadeirado se intensifica, culminando em um final limpo, sem a aspereza amarga que charutos com menor controle de blend por vezes apresentam. A concentração de sabores sugere um filler predominantemente de folhas de Vuelta Abajo, bem curadas.
Performance da Combustão e Técnica
O Epicure No. 2 é notório por sua queima, que, quando bem conduzida, é quase autônoma. Neste exemplar, a linha de cinzas manteve-se firme e clara, com uma coloração acinzentada pálida – um bom indicador da correta fermentação e enrolamento. A necessidade de paliativos (retoques com o maçarico) foi mínima, restrita apenas à marca de 3/4 do percurso, onde a ligeira variação na espessura da folha pode ocasionalmente exigir correção.
Conclusão Técnica
O Hoyo de Monterrey Epicure No. 2 transcende a simples definição de um Robustíssimo de entrada. Ele é um charuto que recompensa a atenção ao draw e à temperatura de queima com um espectro aromático equilibrado e consistente. Sua construção premium o coloca como um exemplar confiável para o fumante que busca a elegância clássica da Hoyo, mas com a satisfação plena proporcionada por um calibre mais generoso. Um exercício notável de equilíbrio entre intensidade e refinamento.
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